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Produção

Raleio da maçã: químico x manual, época certa e custo por quadra

Douglas Polman e Frutare

Douglas Polman e Frutare

Consultor técnico e equipe de conteúdo da Frutare

9 min de leitura· Publicado em 28 de outubro de 2026

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Raleio da maçã: químico x manual, época certa e custo por quadra
Janela curta
Químico da plena floração até frutos de cerca de 14 mm na Gala; manual até 40 dias após a plena floração.
Calibre e florada
Raleio cedo enche o fruto que fica e protege o retorno de floração da próxima safra.
Clima manda
Entre 21 e 26 °C nos dias em torno da aplicação o raleante tende a agir melhor.
Meça as horas
Pessoas, horas e valor pago por quadra mostram o custo real do raleio manual.

Raleio da maçã: o que fazer agora no pomar

O raleio da maçã é a retirada do excesso de flores ou frutinhos para que a planta leve até a colheita só a carga que consegue encher de calibre. Ele pode ser químico (raleantes aplicados com o turbo) ou manual (a equipe tirando fruto na mão). Na prática, é comum combinar os dois: o químico faz o grosso e o manual acerta o que sobrou.

O momento é curto. Segundo o boletim técnico da Epagri sobre o tema (Petri et al., 2017), o raleio deve estar feito até mais ou menos 30 dias após a plena floração, antes do fim da divisão celular do fruto. Na recomendação do consultor Douglas Polman, o químico começa na plena floração e, se necessário, segue na queda de pétalas e em frutos de até 14 mm na Gala; o manual vai até 40 dias após a plena floração.

E a hora é agora. Nos avisos da Epagri de São Joaquim, a Gala e a Fuji estavam em plena floração (estádio F2) em 5 de outubro de 2023 (Aviso nº 5, 2023), e em 16 de outubro de 2024 a Gala estava no fim da floração e a Fuji na queda de pétalas (Aviso nº 4, 2024). Somando os 30 a 40 dias da janela, o raleio cai no fim de outubro e em novembro. Confira o estádio de cada quadra, porque altitude e variedade mudam tudo.

Por que o raleio define o calibre e a florada do ano que vem

A macieira fixa muito mais fruto do que consegue sustentar. O boletim da Epagri lembra que, em condições ideais, de 5% a 10% das flores fecundadas já dariam uma produção normal. O resto disputa a mesma área de folha, e o resultado é muita maçã miúda.

São quatro efeitos que você sente no bolso:

  • Calibre: com menos frutos por área de folha, cada fruto cresce mais. Calibre pequeno vale menos na classificação.
  • Retorno de floração: sem raleio, a florada do ano seguinte pode cair. O boletim explica que o excesso de frutos consome reservas e as sementes produzem giberelinas que atrapalham a formação de gemas de flor.
  • Alternância: cultivares como a Fuji tendem a alternar ano carregado e ano fraco. Raleio cedo e bem feito reduz essa gangorra.
  • Custo do raleio manual: um químico bem feito reduz as horas de equipe no acabamento.

Por isso o atraso custa caro. Raleio tardio ainda tira fruto, mas já não devolve o mesmo calibre nem garante a gema floral da próxima safra.

Quanto fruto deixar: a conta da carga

Antes de decidir químico ou manual, defina a carga que você quer em cada quadra. O boletim traz referências práticas:

ReferênciaValor citado pela Epagri
Frutos por m² de copa120 a 150
Frutos por cm² de seção do tronco4 a 6
Distância entre frutos no ramo8 a 10 cm
Frutos por inflorescência (alta frutificação)1, de preferência o central
Descartarfrutos menores que 50% dos maiores

O próprio boletim mostra a conta de carga: num pomar com 2.500 plantas por hectare (4,0 x 1,0 m) e meta de 40 t/ha, com 8 frutos por quilo, são 320.000 frutos por hectare, ou 128 frutos por planta. Faça essa conta para cada quadra com a sua meta de produção e o calibre que o seu mercado paga.

Raleio químico da macieira: como funciona

O raleio químico usa produtos que fazem a planta derrubar parte das flores ou dos frutinhos. Ele pode ser feito na floração ou na pós-floração. No Sul do Brasil, a pós-floração é a preferida, porque permite avaliar a frutificação efetiva antes de agir e reduz o risco em regiões com geada tardia.

Cuidados antes de decidir

Segundo Douglas Polman, o raleio químico eficaz depende de cinco pontos:

  1. Equilíbrio nutricional das plantas.
  2. Região onde está o pomar.
  3. Manejo anterior: poda, fertilizantes aplicados, raleio da safra anterior e produtos usados para frutificação efetiva.
  4. Clima na floração e na frutificação.
  5. Momento das aplicações: começar na plena floração e, se necessário, repetir com base na avaliação da queda de pétalas e, se ainda for preciso, em frutos de até 14 mm na Gala.

Douglas prefere não indicar nomes comerciais de produtos. Cada responsável técnico precisa conhecer as plantas e o modo de ação de cada produto para definir um raleio químico eficaz.

Quais raleantes aparecem nas recomendações

O boletim da Epagri e trabalhos da Embrapa Uva e Vinho citam estes grupos de raleantes, cada um com sua janela de tamanho de fruto:

  • ANA (ácido naftalenoacético): auxina usada da floração até frutos pequenos. Em frutos maiores pode deixar frutos pigmeus.
  • Benziladenina (BA): citocinina que, além de ralear, pode aumentar o tamanho do fruto. Um estudo da Embrapa com Fuji Suprema em Vacaria mostrou que duas aplicações em sequência foram o melhor custo-benefício entre os programas testados (De Rossi et al., 2020).
  • Metamitron: reduz a fotossíntese por alguns dias e faz a planta soltar fruto. Foi estudado pela Epagri como substituto do carbaril, que segundo o boletim foi proibido em 2011 (Petri et al., 2016). No mesmo estudo, a concentração mais alta causou raleio excessivo, sobretudo na Maxi Gala.
  • Ethephon: segundo o boletim, é o raleante que ainda age com frutos de 25 a 30 mm. Com calor, o efeito pode passar do ponto.
  • Cáusticos de floração (como o tiossulfato de amônio): agem na flor e podem causar russeting.

Escolha de produto, dose e intervalo de aplicação sempre conforme bula, registro no AGROFIT e receituário do engenheiro agrônomo responsável.

O clima manda no resultado

O mesmo raleante pode ralear pouco num ano e demais no outro. A Embrapa Uva e Vinho resume isso numa regra chamada "2X4": olhar temperatura e radiação nos 2 dias antes e nos 4 dias depois da aplicação (De Rossi, 2022). Pelo texto:

  • abaixo de 21 °C, se der, espere alguns dias;
  • acima de 26 °C, cresce o risco de sobreraleio;
  • a faixa boa para a maioria dos raleantes de pós-floração fica entre 21 e 26 °C, o que Douglas também adota: abaixo de 21 °C a eficiência é baixa e acima de 26 °C o risco de sobreraleio é alto.

O boletim da Epagri acrescenta que luminosidade, umidade e a reserva de carboidratos da planta também mudam a resposta. Por isso anote o clima da semana da aplicação junto com o que foi aplicado.

Como saber se o químico funcionou

Não espere a queda natural para descobrir. Marque alguns cachos por quadra e meça o diâmetro dos frutinhos alguns dias depois da aplicação. Fruto que parou de crescer vai cair. A Embrapa testou esse modelo da taxa de crescimento, medindo 15 cachos por planta aos 3 e 8 dias após a aplicação, e encontrou relação moderada com a produção real (De Rossi et al., 2020). Serve como sinal para decidir se repete o químico ou parte para o manual.

Raleio manual: quando e como

O raleio manual é o acabamento, um repasse corretivo depois do químico. O boletim da Epagri recomenda fazer até 40 dias após a plena floração, com frutos de no máximo 12 mm. Douglas trabalha com frutos de até 20 mm, mas com o mesmo limite de 40 dias, impreterivelmente, porque o atraso reduz a formação de gemas de flor da safra seguinte.

Regras de campo (boletim da Epagri e Douglas Polman):

  • deixar um fruto por inflorescência, de preferência o central;
  • em esporões fracos, tirar todos os frutos; em esporões fortes, deixar só o fruto central; em brindilas, até dois;
  • manter de 8 a 10 cm entre frutos;
  • usar a mão ou tesoura de ponta fina, sem arrancar o pedúnculo do fruto que fica.

E um alerta sanitário: quem passa planta por planta no raleio é a melhor sentinela do cancro europeu. Orienta-se a equipe a anotar qualquer ramo sem brotação, murcho, amarelado ou seco e a informar a gerência técnica na hora, para erradicação ou manejo. O aviso da Epagri de novembro de 2025 pede que a equipe observe ramos sem brotar, murchos, amarelados ou secos durante o raleio (Aviso nº 5, 2025).

Químico x manual: comparação rápida

PontoRaleio químicoRaleio manual
Momentoda plena floração até frutos de cerca de 14 mm na Galaaté 40 dias após a plena floração, com frutos de até 20 mm
Velocidadeuma passada do turbo cobre a quadradepende do tamanho da equipe
Precisãovaria com clima, cultivar e vigoralta, fruto a fruto
Riscoralear de menos ou de maisatrasar por falta de gente
Custo principalproduto, aplicação e dieselmão de obra

A combinação mais comum é usar o químico para tirar a maior parte da carga e o manual para corrigir. Quanto melhor o químico, menos hora de raleio manual você paga.

Custo de mão de obra do raleio manual: como medir horas por quadra

O boletim da Epagri estima a necessidade de raleio manual em 30 a 70 dias-homem por hectare. É uma faixa larga, porque depende da carga, do sistema de condução e de quanto o químico fez. Por isso a única forma de saber o seu número é medir.

O jeito simples é anotar, todo dia de raleio:

  1. a quadra e a variedade;
  2. quantas pessoas trabalharam ali;
  3. quantas horas cada uma trabalhou;
  4. o valor da diária ou da hora de cada pessoa.

Com isso você tem horas por hectare e custo por hectare de cada quadra, e consegue comparar ano a ano se o raleio químico está economizando gente.

Exemplo ilustrativo de conta

Os valores abaixo são hipotéticos, só para mostrar a conta.

  • Quadra 4, Fuji, 2 hectares.
  • 8 pessoas trabalharam 9 dias, 8 horas por dia.
  • Horas totais: 8 x 9 x 8 = 576 horas.
  • Por hectare: 576 ÷ 2 = 288 horas, ou 36 dias-homem de 8 horas (dentro da faixa de 30 a 70 citada pela Epagri).
  • Diária hipotética de R$ 150: 72 diárias x R$ 150 = R$ 10.800, ou R$ 5.400 por hectare.
  • Se a quadra produzir 40 t/ha: R$ 5.400 ÷ 40.000 kg = R$ 0,135 por quilo só de raleio manual.

Se no ano seguinte o químico funcionar melhor e a mesma quadra precisar de 20 dias-homem por hectare, a conta mostra a economia sem achismo.

O que anotar no raleio

Use esta lista como checklist da semana:

  • Data da plena floração de cada quadra e variedade
  • Estádio fenológico no dia de cada aplicação
  • Diâmetro médio do fruto central no dia da aplicação (mm)
  • Raleante aplicado, conforme receituário, e volume de calda
  • Temperatura máxima e mínima dos 2 dias antes e dos 4 dias depois
  • Medição dos cachos marcados aos 3 e 8 dias após a aplicação
  • Início e fim do raleio manual por quadra
  • Pessoas, horas e valor pago por quadra e por dia
  • Sintomas de cancro europeu vistos pela equipe

Exemplo de áudio que o produtor mandaria no fim do dia: "Hoje na quadra 4, Fuji, raleio manual com oito pessoas, das sete às cinco, uma hora de almoço. Frutinho central uns dez milímetros. O Zé viu dois ramos secos perto da cabeceira."

Como a Frutare ajuda no raleio

A Frutare é um caderno de campo e de mão de obra que funciona pelo WhatsApp. Você manda o áudio do dia, a plataforma separa quadra, operação, pessoas e horas, e devolve a confirmação no WhatsApp antes de gravar. A decisão de quando e como ralear continua com o engenheiro agrônomo responsável.

  • Registro de fenologia e de aplicações por quadra, com produto conferido no catálogo do AGROFIT.
  • Horas e custo de mão de obra de raleio por quadra, sem planilha no fim do mês.
  • Clima medido guardado junto com a aplicação, para entender por que o químico raleou mais ou menos.
  • Consulta por mensagem, como "quanto gastei de raleio na quadra 4 esse mês?".

Quero ver como a Frutare registra o raleio no WhatsApp

Perguntas frequentes

Qual a melhor época para o raleio da maçã?

O químico começa na plena floração e vai, se necessário, até frutos de cerca de 14 mm na Gala; o manual vai até 40 dias após a plena floração. Os prazos seguem a Epagri e a recomendação de Douglas Polman. Na Serra, isso costuma cair entre o fim de outubro e novembro, mas varia por quadra e variedade.

Raleio químico substitui o manual?

Raramente por completo. O químico tira a maior parte da carga e o manual corrige o que sobrou. Quanto melhor o químico, menos dias-homem de raleio manual.

O que acontece se eu atrasar o raleio?

O fruto que fica já passou da fase de divisão celular e não recupera todo o calibre. A planta também gasta reserva e pode florescer menos no ano seguinte.

Quantos frutos devo deixar por planta?

Depende da densidade, da meta de produção e do calibre desejado. A Epagri usa referências como 120 a 150 frutos por m² de copa e um fruto por inflorescência em alta frutificação. Faça a conta da carga por quadra com o seu agrônomo.

Calor atrapalha o raleio químico?

Sim. Pela regra "2X4" da Embrapa, acima de 26 °C nos dias em torno da aplicação cresce o risco de raleio excessivo, e abaixo de 21 °C o efeito tende a ser fraco.

Como calcular o custo do raleio manual?

Anote pessoas, horas e valor pago por quadra todos os dias. Some as horas, divida pela área e multiplique pelo valor da hora ou da diária. Depois divida pela produção para ter o custo por quilo.


Foto de capa: Douglas Polman (imagem tratada digitalmente).

Fontes e referências

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